quarta-feira, 2 de maio de 2012

Grant Lee Buffalo - Fuzzy - 1993












Grant Lee Buffalo é uma daquelas bandas que você gosta de imediato, este disco de estréia é simplesmente genial, musicalidade ímpar do rock independente com formação de power trio, as músicas vão desde canções de amor , romances indescritíveis ao cotidiano caótico.

Poemas bem escritos sob uma sonoridade agressiva e frases rebeldes sob sonoridades delicadas, diziam as más línguas que o G.L.B era uma espécie de Legião Urbana americano, sempre existirá alguém tentando rotular uma banda, discordo plenamente deste vínculo musical, o GLB é muito mais musical e elaborado do que o som simples e direto do Legião Urbana, talvez pelas letras possamos criar uma linha de raciocínio mas pára por aí.

Grant Lee Phillips usa magestosamente um violão de 12 cordas plugado em suas pedaleiras tirando um som pesado, distorcido, às vezes no dellay suavisando o pêso e dando outra atmosfera às frases de efeito.

Paul Kimble no contrabaixo eleva este trio ao mais alto e elaborado som de rock, segurando a " cozinha " com perfeição, toda base fica em suas mãos inclusive os solos e harmonias enquanto o violão sonoro leva o ouvinte à outras dimensões.

Joey Peters simplesmente acompanha a linha de raciocínio da banda com levadas simples em seus " beats ", caso fosse um baterista mais aplicado poderia dar um rumo diferente às canções.

O forte da banda sempre foi em apresentações ao vivo, em cima do palco é que o fã de boa música pode encontrar os rapazes em êxtase e observar como se faz um bom e simples rock and roll com uma viola 12 cordas insana e distorcida tocada simplesmente em acordes maiores, sem riffs elaborados ou solos desconexos, caso você não os veja ao vivo jamais dirá que as gravações são feitas com um violão, pensará de imediato que o instrumento usado é uma guitarra semi acústica.


Vejam como Paul Kimble " espanca " seu contrabaixo nesta apresentação ao vivo pela rádio americana KEXP de Seatle.




Sou fã das violas 12 cordas apesar do trabalho cansativo de tocá-las, segurar as 12 cordas em determinadas situações exige do músico muita habilidade, porém a sonoridade é impar e enriquece qualquer harmonia.

Nesta época estavam surgindo muitas bandas " alternativas ", independentes, principalmente no circuito das " college radios ", rádios dentro das universidades que na época foram uma boa ferramenta de divulgação de novas bandas, apesar que o R.E.M na década de 80 foi a banda mais influente nas universidades onde as rádios eram apenas um modo simples de comunicação e diversão e restrita à algumas instituições.

A banda gravou pelo selo Slash Records do qual não precisamos dizer quem é o dono, Slash depois do fim dos Guns and Roses se empenhou na divulgação de bandas independentes e trouxe para o portifólio de sua gravadora ótimas bandas que gravaram discos sensacionais.

O sucesso independente da banda foi crescendo e aos poucos começou a se tornar " cult ", sempre se apresentando em casas pequenas e mantendo a energia de suas canções, mas........ a história sempre se repete...... sucesso, shows diários, viagens cansativas, entrevistas, MTV, claro que a banda não resistiria ao " mainstream", Paul Kimble deixa a banda em 1997 e Grant Lee Phillips seguiu seu caminho compondo e tocando mundo a fora, mas a genialidade de uma banda raramente se repete numa carreira solo, tudo funciona como um time, vários pensamentos, sentimentos, comportamentos, experiências é que nutrem a existência de um conjunto musical.


Ouça na íntegra :








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