terça-feira, 17 de abril de 2012

Joy Division - Unknown Pleasures - 1979



Um brinde à crise existencial, à depressão doentia, à falta de esperança, ao mundo sem graça, ao sofrimento extremo, à introspecção, ao mundo paralelo, às viagens inconscientes, aos amores incompreendidos, à poesia crua e amarga !!!!!!

1979 - Enfim o Joy Division grava seu disco de estréia, absolutamente sombrio, na onda da anti cultura  que a Inglaterra vivia o Joy Division seguiu por outro caminho ; o da auto destruição!!!

Ian Kevin Curtis, um jovem solitário, introspectivo, isolado de tudo e de todos, um escritor talentoso, vivendo uma vida totalmente medíocre debaixo de um céu cinza de Manchester-UK, no emprego de funcionário público onde atendia no setor de desempregados vivenciava diariamente o desespero de pessoas em busca de um emprego ao meio de crises econômicas que as cidades industriais estão sujeitas, este cenário lhe parece familiar ?

Joinville-SC  final dos anos oitenta, centenas de Joãos, Marias, Josés, poderiam ser chamados de Ian´s, nós simples mortais ,ficávamos mofando nas filas de desempregados que se faziam na frente das indústrias, uma época difícil para os " forasteiros " como minha família, um céu cinzento, chuvas intermináveis, lama para todos os lados, esgoto à céu aberto, a periferia repleta de desempregados, e os poucos que se mantinham no emprego dobravam seus turnos para obter mais um " extra " em seus contra-cheques, como a própria cidade se entitula " A Manchester Catarinense ".

Desta vida miserável que Ian vivia lhe restava apenas a música como salvação, e numa apresentação dos Sex Pistols em Manchester-UK seu destino seria mudado para sempre, ao término desta noite estava decidido a mudar de espectator à atração principal, assim começava a ter vida o Joy Division.

Início dos anos noventa, uma vida miserável e  sem graça me rodiava, a música sempre foi minha companheira, tudo que tenho de maior valor nesta vida conquistei através da música, ela teve o poder de reunir pessoas de diversas partes da cidade com o mesmo propósito; dar um basta àquela vida medíocre, sem graça, isolada, miserável, naquela época estávamos separados da morte de Ian Kurtis por apenas uma década, mas como perceber aos 15 anos de idade este pequeno espaço de tempo? Para nós isto era uma eternidade, hoje passados 22 anos percebo como estávamos tão perto daquele movimento musical do velho mundo.




Este disco apareceu na minha vida como produto proibido, ilegal, ilícito, " coisa do diabo " devido às lendas que envolviam o nome do Joy Division, pouco se falava na época à respeito, as mídias que tratavam do assunto enalteciam o " Glam Rock " " Heavy Metal " e afins, apenas as pessoas mais desgraçadas e que gostavam do caos emocional  é que tinham coragem de abordar este assunto assombrado.

Voltando à tentativa de entender Ian Kurts, além da vida que levava casou-se e teve uma filha, inocentes envolvidos em sua paranóia, as atividades da banda cresciam e exigiam cada vez mais deste jovem perturbado, o público ia crescendo e o seu pânico também, como exigir de um ser absolutamente isolado em suas ilusões mais sombrias encarar um público carente, cansado, revoltado, pobre e miserável, um caos total na mente perturbada de Ian.

Ian não conseguia encarar o público, tinha maus súbitos às vésperas de cada apresentação, dentro desta panela de pressão emocional sua epilepsia se agravou ocasionando mau estar na banda, ninguém acreditava que aquele projeto poderia ser levado adiante e crises internas não demoraram a aparecer.

Neste inferno astral Ian conheceu Annick Honoré, vivenciou uma paixão incontrolável, despejava nela toda sua aflição e encontrava paz de espírito, porém um infernal remorso por deixar sua família à mercê da própria sorte pelos seus devaneios juvenis.

Neste complicado cenário ninguém mais saberia o que poderia acontecer na próxima apresentação, a banda insatisfeita com os ataques epiléticos, atrasos e falta de compromisso de Ian que demosntrava não ser capaz de lidar com a fama repentina, sua vida conjugal complicada, e seu amor imperfeito pela Belga Annick.

O público parece que percebeu suas fraquesas e exigiam cada vez mais do solitário artista que vivia um inferno existencial, enquanto que o empresário da banda Rob Gretton se desdobrava para administrar a vida artística da banda e a vida pessoal de Ian que precisava de cuidados especiais.
Joy Division

Musicalmente a banda era perfeita para a cena do pós punk, guitarras simples e destorcidas(  Bernard Sumner ), o baterista  Stephen Morris que sofria de falta de coordenação mas dava conta do recado, e o genial baixista ( Peter Hook ) que dava todo equilíbrio, melodia e  rítimo , tomava frente às canções com riffs inacreditáveis de seu contra baixo.

Com um ano na estrada o Joy Division inicia a gravação do seu segundo disco " Closer " e assina contrato para fazer uma turnê pelos Estados Unidos, este disco póstumo levou a banda às paradas musicais e rádios da Europa, muito mais coeso, maduro, pesado, direto, Ian se superou nas suas composições, mas o inferno astral continuava, Ian não era capaz de existir, talvez a vida para ele tenha sido um pezar, talvez uma doença incurável do espírito, genético, jamais poderemos saber, em 18/05/1980 ao voltar para casa depois de uma seção das gravações do segundo disco, sozinho, isolado, resolve dar fim àquele sofrimento existencial, suicidando-se de maneira trágica ( enforcamento ) deixando esposa, filha, amante, banda, e uma legião eterna de fãs de sua música.


Ouça na íntegra :





Assita o Filme Control na íntegra :



Fonte Wikpédia :


Joy Division foi uma banda pós-punk formada no ano de 1976, em Manchester, Inglaterra. A banda acabou em 18 de Maio de 1980 após o suicídio do vocaista e guitarrista ocasional, Ian Curtis. A banda também tinha como integrantes Bernard Sumner (guitarrista e tecladista, à época chamado Bernard Albrecht), Peter Hook (baixista e vocalista) e Stephen Morris (percussionista e baterista). Após o termino da banda, os três integrantes remanescentes formaram o New Order, alcançando maior sucesso crítico e comercial.[1] .
Com uma forte influência na cultura punk de 1977 misturado com conceitos artísticos, Joy Divison foi uma banda que misturava o rock underground com algumas nuances de experimentalismo e inovações eletrônicas, inspirado por bandas como o Kraftwerk.
Seu som tinha influências de The Doors, Velvet Underground, David Bowie, Sex Pistols e Iggy Pop. Era caracterizado por densas melodias, bastante marcadas pela bateria quase "militar" de Stephen Morris, e uma tendência para a depressão e a claustrofobia. As letras obscuras e extremamente poéticas de Ian Curtis se tornaram uma característica marcante do grupo, assim como seu vocal em barítono.


Tudo começou quando Ian Curtis conheceu os restantes membros da banda num concerto de Sex Pistols a 4 de junho de 1976.
O primeiro nome da banda era Warsaw, inspirado numa música de David Bowie, "Warszawa", (do álbum Low). A banda Warsaw teve o seu primeiro concerto a 29 de Maio de 1977 como banda suporte das bandas Buzzcocks, Penetration e do poeta John Cooper Clarke no Electric Circus.
Já existindo uma banda de punk rock londrina chamada Warsaw Pakt, decidiram mudar o nome da banda para Joy Division nos finais de 1977. "Joy Division" era o nome de uma casa de prostituição extraída de um romance chamado The House Of Dolls, escrito por Yehiel De-Nur, em 1956. Esse nome teve origem nos campos de concentração nazistas, e servia justamente para designar a área reservada às prisioneiras judias que eram oferecidas sexualmente aos soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
O seu primeiro trabalho de estúdio, já com o nome Joy Division escolhido como o definitivo foi o EP An Ideal for Living (1978), que ainda tinha forte influência do movimento punk. Após entrarem para a editora independente Factory Records, foi contratado o produtor Martin "Zero" Hannett, que conduziu a gravação do seus dois álbuns de estúdio e influenciou a sonoridade da banda ao introduzir efeitos electrónicos nas músicas. Em princípio, o resultado desagradou Bernard e Peter, que preferiam um estilo mais punk, mas teve o respaldo de Curtis. As invenções de Hannett deram certo, e logo toda a banda passou a flertar com a sonoridade electrónica. Em consequência, os Joy Division são tidos até hoje como referência pioneira ao som new wave da primeira metade dos anos 80.
Após as músicas "Digital" e "Glass" terem sido lançadas numa colectânea da editora da banda, chamada A Factory Sample, veio o primeiro álbum da banda, Unknown Pleasures (1979). O disco causou grande alvoroço entre o público e a crítica, devido à sua sonoridade soturna e às letras intimistas. Destaque para as faixas "She's Lost Control", "Shadowplay", "Disorder" e "New Dawn Fades". Ainda em 1979, eles lançaram seu o primeiro single, "Transmission", relativamente famoso em razão da performance que a banda fez em um programa de TV da BBC2.
No ano seguinte, o quadro clínico de Ian piorou, com o agravamento de sua epilepsia e dos problemas conjugais. Ainda assim, Joy Division pôde gravar, em Março, o álbum Closer. No final de Abril, foi lançado o flexi disc de "Komakino" e também o compacto 7" de "Love Will Tear Us Apart", que viria a ser a música mais conhecida do conjunto, permanecendo ainda hoje com o fulgor e a excitação que provocou outrora.
Ian Curtis cometeu suicídio em 18 de maio de 1980, um dia antes da viagem do Joy Division para os Estados Unidos, onde fariam sua primeira turnê internacional. Devido a problemas na tiragem, Closer tornou-se um álbum póstumo, só sendo lançado em julho. Neste LP, eles se superaram, com composições que viriam a influenciar todo o post-punk na década de 80. Os temas mais elogiados foram "Isolation", "Passover", "Heart and Soul" e "Twenty Four Hours". Aliás, o disco conseguiu chegar ao 6º lugar dos tops ingleses e liderou as paradas alternativas.
Em setembro de 1980, a começar pelos single "Atmosphere" / "She's Lost Control" (sendo esta refeita, com uma levada mais dançante), vieram os lançamentos póstumos. No ano seguinte, veio o duplo Still, com várias sobras de estúdio e o registro do último concerto do Joy Division. Substance (1988) é uma coletânea de singles e lados B. Permanent, editado sete anos depois, compilou 15 clássicos, mais uma regravação de Love Will Tear Us Apart. Heart and Soul é uma caixa com 4 CDs, que reúnem praticamente tudo que eles gravaram.
Alguns meses depois do suicídio do vocalista Ian Curtis, os outros membros da banda formaram o New Order.
A influência do quarteto no rock mundial permanece, como provam bandas como Editors, Plus Ultra, Interpol e Franz Ferdinand, She Wants Revenge, The Killers (que inclusive têm "Shadowplay" como faixa do álbum Sawdust), além de serem grandes ídolos de outros artistas, como Trent Reznor, o homem Nine Inch Nails, Thom Yorke do Radiohead, Billy Corgan dos Smashing Pumpkins e no Brasil o falecido líder da banda Legião Urbana, Renato Russo.

[editar] Origem dos nomes

  • Stiff Kittens
Este nome foi sugerido a Ian Curtis por Richard Boon, empresário dos Buzzcocks, mas a banda o odiou justamente por soar como o nome de um conjunto punk qualquer. À revelia dos integrantes da banda, os membros dos Buzzcocks puseram o nome Stiff Kittens nos cartazes e nos flyers que anunciavam o concerto que fariam juntos no dia 29 de Maio de 1977 e, por essa razão, muitas pessoas acreditam que esta demoninação foi utilizada nessa única ocasião, o que não é verdade. Quando subiram ao palco, o grupo se apresentou à plateia como Warsaw. Portanto, é falsa a afirmação de que algum dia fizeram uso do nome Stiff Kittens.
  • Warsaw
A banda foi inspirada pela música "Warszsawa", do álbum Low de David Bowie, em português significa Varsóvia (capital da Polónia). Porém uma banda de punk rock londrina, Warsaw Pakt lançou o seu primeiro álbum em Novembro de 1977, então eles decidiram mudar de nome para evitar alguma confusão.
  • Joy Division
Em Dezembro de 1977 eles decidiram o seu nome definitivo. O nome veio do livro The House of Dolls, de Karol Cetinsky. Nesse livro Joy Division (Divisão da Alegria) é o nome dado para a área onde as mulheres judias eram mantidas prisioneiras e "oferecidas" sexualmente aos oficiais nazistas


3 comentários:

  1. Radio, live transmission!!!! Dance, dance, dance, dance to the radio!!!
    Muito bom...

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  2. Aqueles com habitos de desperdicio,
    Seus sensos de estilo e bom gosto,
    De fazerem o certo, você estava correto,
    Hei, você não sabe que estava certo?
    Eu não estou mais com medo,
    Eu mantenho meus olhos sobre a porta,
    Mas eu me lembro...
    (Insight)

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  3. Tudo na vida parava
    Ela também
    Sobretudo negro
    Cinzento
    Um cigarro vivia
    As cinzas
    Um homem
    Por dentro
    De nós
    Que ouvimos
    Sentindo
    AS BATIDAS
    DA GUITARRA

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